Diálogos de Além-Túmulo – Evocação – Marcos, o Espírito arrependido
Na reunião anterior, o grupo teve algumas dúvidas sobre cura. Ficou decidido que faríamos um pedido aos bons espíritos para que nos auxiliassem com as dúvidas. Um espírito veio espontaneamente para responder a essas perguntas. No final, nós indagamos do que ele precisava. Ele nos disse que precisava de preces, pois ele tinha errado muito e se arrependia depois de sua última encarnação. Fizemos preces a ele e ele se despediu.
Nesta reunião, depois de preparar algumas perguntas, nós decidimos evocá-lo para entender melhor sua situação.
Eis a comunicação.
Evocação.
1. Queremos te receber em nosso grupo, querido irmão, com todo carinho e nós estamos querendo conversar com você ou com vocês, para aprender, para nos instruirmos e, se possível, nós ajudarmos com alguma coisa que você precisa e você nos ajudar com alguma coisa que nós precisamos. Nossa intenção é muito legítima e nós não vamos julgar você, nós estamos aqui para conversar como amigos, como irmãos.
R: Agradeço as preces que vocês fizeram por mim. Foram muito úteis.
2. Amigo, você poderia nos dizer qual foi a sua motivação para se comunicar conosco na vez anterior?
R: Só a necessidade da oração. As pessoas esquecem de mim.
Observação: não é a primeira vez que vemos um Espírito se lamentar disso. Realmente, ninguém quer ser esquecido, mas o Movimento Espírita, ausente dos estudos da ciência espírita, não pratica mais as evocações, por conta de diversas falsas ideias. Deixa de ajudar e de aprender, e tal é o domínio das inverdades, que alguns chegam ao ponto de não fazer preces pelo Espírito, crendo que, assim, atrapalhariam. Nesse sentido, grandes canais, ditos espíritas, mas também desconhecedores do Espiritismo, colaboram na divulgação dessas falsas ideias.
3. O que houve para elas esquecerem de você?
R: Faz muito tempo que eu desencarnei. Aqueles a quem eu amava não são mais corpos físicos. E eu não encontrava com eles, em lugar nenhum. Hoje já posso, pelas preces de vocês, visualizar aqueles que estiveram comigo na minha vida física. Isso é consolador.
4. Então quer dizer que enquanto eles não foram para a pátria espiritual você não tinha contato com eles?
R: Não. Eu tentava. Mas eles não me ouviam.
5. E quando você os viu, como foi, eles vieram, eles entraram em contato com você ou você entrou em contato com eles? Como foi?
R: Eles. Eles chegaram. Minha esposa, minha mãe, meu pai. Meu pai Alberto, minha mãe Eliza, minha esposa Helena.
6. E o seu nome?
R: Marcos.
7. Marcos. Você disse na última vez que você se arrependeu das coisas que você tinha feito. Nós não entendemos bem do que, se você se sentir à vontade, você pode nos contar o que aconteceu? Seria interessante porque nós poderíamos entender melhor você e nós poderíamos nos instruir.
R: Tinha muita disputa. Dinheiro. A ganância. Roubei muitas pessoas. Coloquei minha família numa situação ruim. Eles sofreram por minha causa. Deixei eles abandonados à própria sorte por causa do dinheiro.
8. E você foi antes de todos eles? Desencarnou antes de todos eles?
R. Sim. Foi um acidente. Tenho dificuldade de lembrar.
9. Não tem problema, irmão. Se você sentir vontade de falar, Marcos, você fala, nós não estamos forçando, não tem problema. Quando foi que você entrou? Quando você se deu conta que tinha morrido, que tinha desencarnado? E como você se sentiu?
R: Sozinho. Eu tinha a escuridão.
Observação: aqui nota-se como é necessário fazer perguntas objetivas, uma por vez. Não é a primeira vez que notamos que o Espírito se concentra apenas na última pergunta.
10. Então o ambiente que você estava, você não conseguia decifrar, tudo escuro.
R: Não. É. Era escuro. Eu não via, não via ninguém.
Observação: esse fato que, de momento, não soubemos aprofundar melhor, nos fez lembrar do artigo “O Espírito de um Danado”, na Revista Espírita de fevereiro de 1860.
11. E como você conseguiu sair dessa escuridão? Como foi esse processo? Que foi uma conquista, não? Que você conseguiu, Marcos? Se me permitir chamar assim, né? Permitir que eu e a M. te chamar assim.
R: Sim. É, foi.
Observação: o interlocutor fez várias perguntas. O Espírito se concentrou em uma resposta simples.
12. Como você conseguiu se libertar disso? Como é que foi?
R. Eu via primeiro. Não via, ouvia algumas vozes. Escutava o choro da minha esposa, os lamentos de meu pai, mas o amor da minha mãe… Minha mãe começou a aparecer para mim. E foi então que eu comecei a entender o que tinha acontecido.
13. Marcos, você escutava sua mãe orando por você?
R: Sim. Ela chamava o meu nome e ela rezava.
14. Assim como você escutou as nossas preces, você escutava as preces da sua mãe ou era de modo diferente?
R: Era diferente. Ela tinha e tem ainda um amor que eu não sei entender. É grandioso. Ela me fez enxergar um pouco da luz de onde ela se encontra. Isso me moveu. Por isso, ouvi.
Observação: aqui, deve ter muito a ver com a questão do magnetismo espiritual. O Espírito de sua mãe tem uma sintonia mais profunda com ele, o que deve fazer com que lhe seja mais fácil registrá-la. É assim que aqueles que tem uma sintonia maior com certos indivíduos terão mais capacidade, ainda que do mundo físico, de auxiliá-los, com preces e diálogos, na superação, no retorno ao bem, etc.
15. A partir dessas preces da sua mãe?
R: Sim.
16. Nessas orações da sua mãe, você começou a ficar mais confortável. E aí que você conseguiu enxergar melhor os seus companheiros que estão à sua volta? Como foi? Você poderia explicar melhor, Marcos, essa parte? Como você conseguiu superar tudo isso?
R: Sim. Eu não sei se eu superei. Eu ainda tenho culpa.
17. Sim, mas você já deu um grande passo, não?
R. Sim. Eu ainda tenho muita culpa, mas ela com aquele amor abriu um caminho para mim e a escuridão foi saindo, foi indo embora. Ela mostrou onde eu estava e o que eu tinha que fazer.
18. Você pode ser um pouquinho mais específico, nisso que você falou, no que “eu tinha que fazer”? Como ela instruiu você, quais foram as instruções dela?
R: Pedir para Deus oportunidades de crescimento. Pedir a Deus para mostrar como chegar até ele. Eu vi outros espíritos que se aproximavam, me acalmavam e me disseram como eu deveria me transformar num ser melhor. Eu estou buscando perdão daqueles que eu prejudiquei. Estou tentando me perdoar pelos erros que eu cometi. Todos os dias algum espírito se aproxima e me incentiva, me mostra como é o perdão. Ele me leva a lugares diferentes, onde eu consigo ver e sentir o que é o amor e o que é o perdão.
Observação: esse não é o único Espírito que nos fala sobre a ideia de que, no mundo Espiritual, eles aprendem pelo exemplo, e não por leituras. São levados a acompanhar outros casos, a auxiliarem e serem úteis. Essa é a realidade do mundo espírita.
19. Isso tem ajudado você, essas “visões”, e esses “ouvir”, tem ajudado você a entender melhor.
R: Sim, sim. Mas ainda não estou pronto. Eu preciso ainda de mais fé, talvez.
20. A conversa que você, Marcos, teve conosco a última vez e essa que teve agora é a primeira vez que você está conseguindo conversar numa reunião como a nossa, uma reunião mediúnica?
R: Sim, sim.
21. Nesta sua desencarnação?
R: Sim. Eu não sabia como era isso.
22. Quem o trouxe até nós?
R: O espírito que me acompanha. Eu acho que… eu acho que ele está sempre aqui com vocês.
23. Sim. Quem? E agora ele está aqui conosco também?
R. Ele conhece todos.
24. Quantos são, Marcos?
R: Esse que me acompanha. Tem mais 3 … 4. Mas também tem outros. Os que têm mais luz são 4.
25. Eu queria entender, meu irmão Marcos, em que ambiente você ficou enquanto não conseguiu enxergar a luz, você se recorda?
R: É o espaço! Grande, mas é escuro.
26. Você não conseguia vislumbrar alguma região, alguma casa, algum local?
R: Não. Não. Só escuro, só escuridão.
27. Irmão! Marcos! Em nome de nosso senhor Jesus Cristo, eu gostaria de agradecer pela mensagem e que os bons espíritos sempre encaminhem você, que você sempre se sinta acolhido aqui neste nosso espaço e que você consiga se perdoar, porque é a coisa mais importante, é você mesmo se perdoar das coisas que você fez. Ah, eu gostaria de saber se você teria mais alguma coisa para falar para nós para nossa instrução, para nosso entendimento melhor da doutrina ou para podermos ajudar melhor ou mais ainda você.
R: Só gostaria de deixar meu obrigado pelas preces e pela oportunidade de estar aqui, pelo acolhimento, por vocês não terem me julgado por aquilo que eu fiz. E eles dizem aqui reunidos que vocês estão em aprendizado e em breve virão mais recados, são recados, eu acho. Instruções. Mas eles oram por vocês também e estão com vocês. Eu preciso ir.
OBSERVAÇÃO: o grupo está em fase de desenvolvimento, sendo, aos médiuns, oriundos do Movimento Espírita, que não dialoga com os Espíritos, uma novidade o retorno a essa prática. Isso lhes causa certas dificuldades, que serão vencidas com o tempo e a prática. Por esse motivo, é normal a ocorrência de imprecisões, mas, como o diálogo não tem nada que mereça uma atenção cuidadosa especial, além da análise que já fizemos, colocamo-lo com o fito de instigar outros a retomarem esses diálogos.
Nosso grupo se reune através da internet, por vídeo, cada um de suas casas.